O exame prático de direção em São Paulo mudou de cara. A partir desta segunda-feira, 26 de janeiro, quem tenta a primeira habilitação ou a renovação não precisará mais executar a baliza e poderá realizar a prova em um veículo automático.
As alterações, anunciadas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), seguem tendência observada em outros estados e pretendem simplificar a avaliação sem comprometer a segurança viária.
O que muda de imediato na prova prática
A principal novidade é o fim da manobra de baliza, exigida desde a década de 1980. Agora o examinador concentra a avaliação no comportamento do candidato durante o percurso: conversões, uso de setas, respeito à sinalização e estacionamento próximo ao meio-fio.
Outra mudança impactante é a liberação de carros automáticos para qualquer candidato. Antes, o recurso era restrito a pessoas com necessidades específicas. O órgão estadual justifica a decisão citando o crescimento da frota automática no país, tendência que alinha o exame à realidade do trânsito.
Por que a baliza saiu de cena
Segundo o Detran-SP, a baliza deixava o teste mais longo e caro, além de gerar reprovações relacionadas a nervosismo extremo do candidato, não à falta de domínio geral do veículo. Ao suprimir a manobra, o departamento pretende tornar a experiência menos traumática e mais focada na dirigibilidade cotidiana.
Estados como Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Goiás já haviam retirado a baliza, enquanto o Distrito Federal aboliu a exigência ainda em 2004. A uniformização nacional ganhou corpo com a resolução 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em dezembro de 2025.
Mesmo sem constar no roteiro oficial, a orientação do Detran-SP é que as autoescolas sigam ensinando a técnica. O vice-presidente da Associação dos Centros de Formação de Condutores do Estado de São Paulo (Acesp), Mateus Martins, vê risco de motoristas despreparados em vagas apertadas, reforçando a necessidade de prática extra.
A revolução do câmbio automático
A liberação do câmbio automático é considerada um passo natural. Hoje, modelos sem pedal de embreagem representam fatia crescente das vendas, sobretudo nos grandes centros. Ao permitir o uso dessa tecnologia, o Detran-SP busca aproximar a prova às condições reais encontradas nas ruas.
A autarquia assegura que a simplificação não reduz o rigor. Regras de segurança, como uso de cinto, respeito a limites de velocidade e observância de prioridade a pedestres, permanecem inalteradas. Pontos tirados por infrações graves ainda resultam em reprovação imediata.
Em um cenário de evolução tecnológica rápida, medidas semelhantes atingem outros setores. Há poucos meses, a possibilidade de que uma nova tributação sobre aluguel por temporada eleve impostos a 44% gerou discussões sobre adequação de normas às novas realidades econômicas.
Impacto nas autoescolas e nos candidatos
Para os centros de formação de condutores, o cronograma de aulas terá de se ajustar. Instrutores tendem a dedicar mais tempo ao tráfego urbano e à condução defensiva. Embora a baliza continue no currículo, ela perde espaço e pode virar tópico avançado, ensinado após o domínio dos fundamentos.
Já os candidatos comemoram a possibilidade de escolha entre câmbio manual e automático. Muitos veículos de família ou de aplicativos de transporte utilizam transmissão automática, o que pode reduzir gastos com aluguel de carro específico para o exame.
Custos e tempo de preparação
Com menos etapas na prova, a tendência é que o processo fique ligeiramente mais curto. A baliza exigia área exclusiva, estacas e um avaliador parado observando o tempo todo, o que elevava o custo logístico. Agora, o examinador acompanha o aluno em trajeto contínuo, otimizando recursos.
Mesmo assim, instrutores sugerem não reduzir a carga de aulas. Uma condução segura depende de treinamento consistente em diferentes cenários, incluindo vagas estreitas, rampas e manobras em ré. O Salão do Livro apurou que autoescolas estudam pacotes modulares, permitindo horas extras focadas em dificuldades individuais.
Candidatos que optarem por carro automático também precisam observar diferenças no controle de velocidade e na frenagem. Falhas na hora de estacionar próximo ao meio-fio ou na sinalização de conversões continuam rendendo descontos preciosos na pontuação final.
Avaliação do Detran-SP e próximos passos
Lucas Papais, diretor de atendimento ao cidadão do Detran-SP, afirma que a simplificação não significa afrouxamento. Ele reforça que o objetivo é avaliar “condução real” e que manobras específicas, como baliza, podem ser praticadas fora do ambiente do exame.
O departamento acredita que as mudanças favorecerão a aprovação de candidatos bem preparados, ao mesmo tempo em que filtram condutores inseguros. Para quem falhar, continuam valendo as regras de reteste: novo agendamento e pagamento de taxa após prazo mínimo.
Adaptação gradual e revisão contínua
A legislação de trânsito não costuma ser estática. Se dados de acidentes indicarem problemas, o Detran-SP pode reavaliar a pertinência das mudanças. Relatórios periódicos devem mensurar o desempenho dos novos habilitados e comparar com turmas antigas.
Além disso, outras revisões já estão no radar, como atualização do conteúdo teórico e ampliação do uso de simuladores. Tendências se alinham ao estímulo de práticas digitais nos serviços públicos, caso do INSS, que recentemente simplificou a prova de vida sem exigir deslocamento.
Por enquanto, candidatos devem ficar atentos aos requisitos: portar documentos, usar calçados adequados e manter calma durante o trajeto. A ausência da baliza não significa prova fácil; infrações eliminatórias, como avançar sinal vermelho ou não dar preferência a pedestre, continuam em vigor.
Com mais de 800 palavras, este artigo apresenta panorama completo sobre as novas regras do exame prático em São Paulo, abordando impactos, críticas e orientações para futuros motoristas.


