As últimas parciais do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 trouxeram um retrato atualizado da corrida por vagas em Medicina nas universidades públicas. A diferença de 84,77 pontos entre a menor e a maior nota de corte confirma a forte competitividade do curso e coloca candidatos em alerta neste último dia de mudanças na inscrição.
Com o prazo se encerrando às 23h59 desta sexta-feira (23), participantes avaliam se mantêm ou não suas escolhas. O Sisu considera as melhores médias do Enem 2023, 2024 ou 2025, e a regra, inédita, elevou ainda mais o sarrafo, segundo educadores ouvidos pelo Salão do Livro.
Maiores notas de corte mantêm disputa acirrada
O levantamento feito às 5h desta sexta mostra 864,82 pontos como maior nota de corte parcial entre 93 cursos de Medicina. O número, obtido em instituição federal do Sudeste, traduz a busca tradicionalmente intensa pelo curso, que costuma liderar as listas ano após ano.
Especialistas em orientação universitária destacam que a combinação de “universidade bem avaliada” com “localidade estratégica” amplia a procura, fazendo com que as pontuações de entrada se aproximem dos 900 pontos.
Por que a nota sobe tanto?
Há fatores recorrentes que explicam esses picos. Primeiro, o prestígio do campus: centros reconhecidos por infraestrutura e pesquisa atraem candidatos de todo o país, adicionando médias altas ao funil. Segundo, políticas de bonificação regional – quando inexistentes – mantêm o processo totalmente aberto, permitindo que concorrentes com rendimentos muito altos, independentemente do estado de origem, concorram em igualdade.
Outro ponto é o chamado “colecionador de aprovações”. Alunos que, mesmo já aprovados, tentam vagas em universidades de maior renome ou em cidades mais convenientes, elevam temporariamente a linha de corte. Caso desistam perto do fim do prazo, as notas podem recuar, embora sem perder o patamar elevado.
Por fim, a possibilidade de usar três edições do Enem fortalece candidatos experientes. Quem teve tempo de estudar estratégias de prova ao longo de vários anos tende a dominar a tabela de classificação.
Extremos inferiores também surpreendem
No outro extremo, a menor nota de corte parcial em Medicina é 780,05 pontos. Embora significativamente menor que o topo, o valor representa alta exigência se comparado a outros cursos igualmente prestigiados, como Engenharia ou Direito em determinadas regiões.
A diferença de menos de 85 pontos entre os limites mínimo e máximo revela a compactação do intervalo, sugerindo que mesmo faculdades tradicionalmente menos concorridas atraíram candidatos com médias elevadas.
Fatores que puxam a nota para baixo
Localidade desempenha papel decisivo. Campi em cidades com menor infraestrutura urbana ou longe de polos econômicos tendem a registrar busca mais modesta, o que naturalmente reduz a disputa direta.
Outro aspecto é o custo de vida. Regiões sem oferta de moradia estudantil estruturada podem afastar candidatos de baixa renda. Mesmo com políticas de assistência, a simples perspectiva de gastos adicionais influencia a escolha.
Há ainda as variações de peso entre áreas do Enem. Algumas instituições atribuem ponderações diferentes para cada prova, e isso pode favorecer candidatos com desempenho irregular, resultando em notas de corte mais baixas.
Como funciona o cálculo diário da nota de corte
A cada atualização, o Sisu avalia o número de vagas disponíveis e organiza os inscritos por ordem de nota. Se o curso oferece 50 cadeiras, a pontuação do quinquagésimo colocado torna-se a nova linha de corte parcial. O algoritmo repete o processo diariamente até o fim do período de inscrições.
Como consequência, a nota não é definitiva até o relógio zerar. Sempre que um candidato troca de opção ou desiste, a ordem muda e a média exigida para permanecer na lista pode oscilar para cima ou para baixo.
Exemplo prático
Supondo cinco vagas, se no segundo dia o último classificado possui 825,09 pontos, esse valor passa a representar a barreira temporária. Se mais tarde um concorrente com 865,40 pontos ingressar, empurrará os demais para baixo e a quinta colocação pode ficar com quem possui 838,62 pontos, elevando o corte em 13,53 pontos num estalar de dedos.
O cenário oposto também ocorre: candidatos bem posicionados podem migrar para outro curso e, de repente, deixar um “vácuo” que reduz a nota mínima. A volatilidade exige monitoramento constante durante a semana de inscrições.
Por isso, professores recomendam aos estudantes uma estratégia de “ajuste fino” nas últimas horas. Observar as parciais, conferir a própria colocação e, se necessário, optar por alternativas com menor risco de corte — especialmente para quem não dispõe de notas de edições antigas.
O Sisu 2026 aceita médias ponderadas das provas de 2023, 2024 e 2025, adotando automaticamente a maior delas. O prazo oficial termina às 23h59 desta sexta-feira, e não haverá prorrogação. Após esse horário, o sistema congela as classificações e parte para a etapa de resultados, que será divulgada no fim de janeiro.
Para os que almejam Medicina, cada décimo de ponto pode significar ingresso imediato ou necessidade de lista de espera. Nesse contexto, conhecer o comportamento diário das notas torna-se ferramenta crucial para decidir o próximo passo acadêmico.


